quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

O jejum


A Quaresma chegou. Tempo de jejum, caridade e oração.

Ao ser questionado a respeito do jejum intermitente, o iogue, místico e visionário indiano Sadhguru abordou algumas questões que merecem destaque.

Certamente, a humanidade está comendo demais. Sadhguru a compara a um carro que, mesmo com o tanque transbordando, não para de se abastecer.


Comer muito não significa comer bem. Hoje, comemos muito e muito mal. Uma alimentação desregrada é, normalmente, desequilibrada e pobre em nutrientes. Desencadeia uma série de consequências negativas para a qualidade de vida das pessoas. Paradoxalmente, anemia e obesidade andam de mãos dadas. Obesos desnutridos são um sinal dos tempos.

A ironia é que, segundo o iogue, o corpo e o cérebro humano funcionam melhor enquanto o estômago está vazio. Isso é verdadeiro para qualquer processo de correção ou purificação celular. Todas as células do corpo estão criando saúde a todo momento, seja reparando seus erros ou eliminando seus resíduos. Nossa compulsão alimentar, porém, não dá tempo para o corpo se curar.

As pessoas se tornam saudáveis ao contornarem essa compulsão alimentar. Para Sadhguru, metade dos problemas de saúde que um indivíduo possa ter desaparece simplesmente adotando um intervalo de 8 horas entre as refeições. Além disso, o estômago deve esvaziar-se entre 2 e 2,5 horas após cada refeição. Após isso, o ideal é se acostumar com aquele ronco no estômago, pois ele é uma benção.

Há outros benefícios: quem dorme com o estômago vazio necessita de menos horas de sono e tem um sono mais reparador que aqueles que dormem de barriga cheia. O guru afirma que, graças ao jejum, por 25 anos dormiu entre 2,5 e 3 horas por noite. Hoje está ficando “um pouco preguiçoso” e dorme em torno de 3,5 e 4,5 horas.

Além de nos elevar espiritualmente, o jejum é também uma ferramenta para limpeza e renovação do corpo físico.

Dito isso, voltemos à Quaresma.

Nós banalizamos a palavra fome. Fome não é a sensação de estômago vazio que sentimos quando não degustamos nossos cappuccino e croissant favoritos pela manhã. Também não é a vontade de comer chocolate. Ao vulgarizarmos o uso da palavra fome, nos tornamos um pouco insensíveis à fome real: achamos que a fome do miserável é igual à fome do compulsivo alimentar. Ambas são ausência de algo, mas são bem diversas entre si.

A fome é infame: é uma doença e um sintoma dos nossos pecados enquanto sociedade. Enquanto uns morrem de tanto comer, outros morrem por não ter o que comer. Por outro lado, aquilo que envenena o corpo e alma de quem sofre de compulsão alimentar pode ser a salvação e a cura de um faminto. Jejum e caridade equalizam essa desigualdade.

Tanto a fome quanto a compulsão alimentar são sintomas da falta de oração.

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